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sábado, 30 de novembro de 2013

Fonte: Divulgação
Por Luana Souza

Poderia sem mais uma comum manhã de sexta-feira, ir à faculdade e de lá para o estágio, mas algo parecia diferente. As horas passavam e não havia notícias, o coração apertava e a angústia crescia. Nem aparecer no Skype, que era de costume, ela apareceu naquele dia.
Em prantos familiares se uniram, distribuíram cartazes pelo bairro e mensagens via internet. Pediam qualquer tipo de informação,  algum tipo que trouxesse paz de volta. Rezavam para todos os santos e pediam para que o pior não tivesse acontecido, mas os esforços pareciam ser inúteis.
“Ela nunca se atrasou no emprego. Estranhamos quando ligaram falando que ela não tinha chegado ao estágio”, comentou a vizinha, Ana Lúcia Assis.
A primeira notícia veio de uma mulher, que ligou para um dos telefones divulgados nos cartazes e informou que viu um corpo no mar. A informante disse ainda ter visto um casal brigando próximo ao local. O coração sangrava, uma pobre mãe não poderia acreditar no fato que era retratado no telefone, mas infelizmente era verdade.
Por mais de 24h desaparecida, Pâmela Belarmino, de 19 anos, foi encontrada morta na manhã de sábado na Praia da Ribeira, Ilha do Governador. Seu corpo apresentava marcas de estrangulamento e um dedo do pé quebrado.
Testemunhas contaram ter visto a menina pela última vez na companhia de um homem de 44 anos, que cursava o sexto período do curso de Administração, junto com ela.
Márcia Belarmino não queria acreditar que sua única filha fora assassinada de forma tão drástica e, pior, pelo próprio colega de faculdade, que assumiu o crime depois do seu sepultamento. Ele admitiu ter a matado por sentir forte atração pela jovem e a mesma não querer envolvimento.
A jovem não tinha namorado ou ninguém que aparentemente pudesse querer seu mal. “Ela não bebia e saía sempre com a mãe”, lamentou Ana Lúcia. “Nós queremos justiça”, disse. A família afirma ter pedido as imagens das câmeras da faculdade e que teria sido negado.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013



Fonte: (Imagem do Google)

Por Aline Veloso

Naquela noite, tudo foi diferente, ela se deitou com a dor da perda, com a sensação de ter envelhecido mil tempos e vivido mil vidas em uma única rotação da Terra. Lembrou da noite passada e em como estava satisfeita consigo mesma. A noite passada estava há mil noites dali. As almofadas eram as mesmas e as paredes também. Mas algo estava ao contrário hoje. Ela já não se lembra de ter o feito, mas, à tarde, retirou das paredes os enfeites natalinos.

Por algum motivo, ela sabe que esse ano Jesus não nasce em sua casa. Virou-se para o lado da janela e observou a noite. Continuava linda, mas hoje não tem luar, e ela está sem ele. Já não sabe onde procurar, não sabe onde ele está. Telefonou algumas vezes antes de tentar dormir. Discava o mesmo número sempre, tentou mais de mil vezes. Mas ele não atendia. Seu marido, já deitado, berrou com raiva: "Ele já não pode mais lhe atender, Maria" e então, ela desistiu por não querer acordar os netos com os berros do velho.

Deitou um pouco preocupada por não ter conseguido falar com seu filho durante o dia. Fechou seus olhos e adormeceu com lágrimas nos olhos. Ela chorava toda vez que sentia a cabeça pesar. Tenho certeza que não sonhava, mas Maria achava que sim. Ela sonhou com a noite passada. No sonho, era acordada aos tapas por José, colocava os óculos de cabeça para baixo e o roupão ao contrário. "Corra, Jesus está indo para o calvário." "Mas é Natal", ela pensava, ela só sabia pensar que era Natal.

Os dois desceram juntos a viela e lá viram a polícia, viram sua família, conhecidos e um corpo. Um corpo no chão. Assim que o viu, Maria desceu os braços sob o corpo e chorou. Mesmo que todos a puxassem de volta. João dizia para a senhora voltar mas ela nada ouvia, nada sentia. Sentia apenas seu filho nos braços. O filho que banhou e amamentou. Sua dor era não poder reconhecê-lo pelo rosto, o rosto que tanto acariciou e fez sorrir, estava agora destruído.

Uma alma sem rosto vaga sem rumo. Uma alma sem rosto não pertence ao céu, nem ao inferno. Maria acordou assustada, sentou-se devagar na beirada da cama e tentou telefonar mais uma vez. Depois de um sonho como esse, precisava se certificar do seu filho. Minha reza é para que ele ressuscite, assim como fez na Páscoa, para então nascer e que Maria nem precise perceber sua morte.